Historia da Igreja - As persseguições Imperiais


SERIE CELEBRAÇÃO AOS 500 DA ANOS DA REFORMA PROTESTANTE



Este período vai da morte do Apóstolo João, ano 100 AD até o Edito de
Constantino, ano 313 AD.
O fato de maior destaque na História da Igreja neste período foi, sem dúvida, as
perseguições realizadas pelos Imperadores Romanos. Estas perseguições duraram até o
ano 313 AD, quando Constantino, o primeiro Imperador Romano, " cristão ", fez cessar
todos os propósitos de destruir a Igreja.
A de ressaltar que durante este período houve épocas em que as perseguições
foram mais amenas.
No início do segundo século, os cristãos já estavam radicados em todas as
nações e em quase todas as nações, e alguns crêem que se estendia até a Espanha e
Inglaterra. O número de membros da comunidade cristã subia a muitos milhões. A
famosa carta de Plínio ( Governador da Bitínia - hoje Turquia ) ao Imperador Trajano,
declara que os templos dos deuses estavam quase abandonados, enquanto os cristãos em
toda parte formavam uma multidão, e pertenciam a todas classes , desde a dos nobres, a
até a dos escravos.

Os Perseguidores
Imperador Trajano 98 a 117 AD - Estabeleceu a Lei, que sendo cristão acusado de
qualquer coisa e não negar fé, será castigado, não tendo acusação estão livres. Mandava
crucificar e lançar às feras.
Imperador Adriano 117 a 138 AD - Morreu em agonia, gritando, " Quão desgraçado é
procurar a morte e não encontrar ".

Imperador Marco Aurélio 161 a 180 AD - Mandava decapitar e lançar às feras.
Apesar de possuir boas qualidades como homem e governante justo, contudo foi
acérrimo perseguidor dos cristãos. Opunha-se, pois, aos cristãos por considerá-los
inovadores. Milhares foram decapitados e devorados pelas feras na arena. Os
Imperadores acima mencionados, foram considerados como os " bons imperadores ",
nenhum cristão podia ser preso sem culpa definida e comprovada. Contudo, quando se
comprovava acusações e os cristãos se recusavam a retratar-se, os governantes eram
obrigados, a por em vigor a lei e ordenar a execução.
Comodus (180-193) Foi o imperador mais favorável aos cristãos que todos os
anteriores.

Imperador Severo 193 a 211 AD - Mandava decapitar e lançar às feras. Iníciou uma
terrível perseguição que durou até à sua morte em 211 AD. Possuía uma natureza
mórbida e melancólica; era muito rigoroso na execução da disciplina. Tão cruel fora o
espírito do imperador, que foi considerado por muitos como o anticristo.

Imperador Décio 249 a 251 AD - Décio observava com inveja o poder crescente dos
cristãos, e determinou reprimi-lo. Via as igrejas cheias enquanto os templos pagãos
desertos. Por conseqüência, mandou que os cristãos tinham que se apresentar ao
Imperador para comunicar e religião. Quem renunciava recebia um certificado, que não
renunciava era considerado criminoso e conduzidos às prisões e sujeitos às mais
horrorosas torturas.

Galenius (260-268) Não houve mais perseguições até o período de Dioclesiano
Imperador Diocleciano 305 a 310 - A última, a mais sistemática e a mais terrível de
todas as perseguições deu-se neste governo. Em uma série de editos determinou-se que :
- Todos os exemplares da Bíblia fossem queimados. - Todos os templos construídos em
todo o império durante meio século, fossem destruídos. - Todos os pertencentes as
ordens clericais fossem presos. - Ninguém seria solto sem negar o Cristianismo. - Pena
de morte para quem não adorasse aos deuses. Prendiam os cristãos dentro dos templos e
depois ateava fogo. Consta que o imperador erigiu um monumento com esta inscrição "
Em honra ao extermínio da superstição cristã ".
Os Principais Mártires

Inácio Provável discípulo de João, bispo em Antioquia, foi condenado no ano 107 AD
por não adorar a outros deuses. Foi morto como mártir, lançado para as feras no
anfiteatro romano, no ano 108 ou 110 enquanto o povo festejava. Ele estava disposto a
ser martirizado, pois durante a viagem para Roma escreveu cartas às igrejas
manifestando o desejo de não perder a honra de morrer por seu Senhor
Policarpo Bispo em Esmirna, na Ásia Menor, morreu no ano 155. Ao ser levado
perante o governador, e instado para abandonar a fé e negar o nome de Jesus, assim
respondeu: " Oitenta e seis anos o servi, e somente bens recebi durante todo o tempo,
Como poderia eu agora negar ao meu Salvador ? Policarpo foi queimado vivo.
Justino Mártir Era um dos homens mais competente de sue tempo, e um dos principais
defensores da fé. Seus livros, que ainda existem, oferecem valiosas informações acerca
da vida da igreja nos meados do segundo século. Seu martírio deu-se em Roma, no ano
166.

Os Efeitos Produzidos pelas Perseguições

As perseguições produziram uma igreja pura pois conservava afastados todos
aqueles que não eram sinceros em sua confissão de fé. Ninguém se unia à igreja para
obter lucros ou popularidade. Somente aqueles que estavam dispostos a ser fiéis até a
morte, se tornavam publicamente seguidores de Cristo.
A Igreja multiplicava-se. Apesar das perseguições ou talvez por causa delas, a
igreja crescia com rapidez assombrosa. Ao findar-se o período de perseguição, a igreja
era suficientemente numerosa para constituir a instituição mais poderosa do império.
Não entanto era suficiente para criar o problema dos lapsos (aqueles que caíram). Por
outro lado, o fato de serem de curta duração criou as condições pelas quais "o sangue
dos mártires foi a semente da Igreja" As perseguições universais, mostraram que a
igreja estava "gorda" nestes séculos, a perseguição intensa, universal e demorada
arrasou a Igreja. Muitos negaram a fé, outros tantos forma exilados do império.
Mesmo assim a lista daqueles que deram sua vida pela fé nas perseguições de Décio a
Dioclesiano foi muito grande. A Igreja conseguiu sobreviver e crescer ainda mais
devido à relativa paz de 40 anos entra as duas perseguições e o Edito de Milão.

O problema dos "lapsos" (caídos) foi muito agudo nos séculos II e III. Hermas
(O Pastor) e Cipriano (De Lapsis) escreveram tratados sobre a questão. O que se deve
fazer com os que negaram a fé e queimaram incenso a efígie de César? A Igreja
elaborou algumas respostas: A igreja de Roma em geral foi indulgente com os lapsos,
recebendo-os de volta com a simples confissão de seu pecado. Existia um rigor contra
os lapsos, eles não teriam mais direito de fazer parte da Igreja. Hermas ( que escreveu o
livro O Pastor) representa uma posição mediadora que aceita uma única queda. Os
lapsos seriam aceito de volta, mas não mais para o lugar de líderes. Os lapsos seriam
membros de "segunda classe" na Igreja. Embora Cipriano é muito duro com
os lapsos, ele os chama a um abundante arrependimento para demostrar sua tristeza e
aflição, sem desesperar da misericórdia de Deus. Apenas estes seriam recebidos de
novo na Igreja.
Apesar de considerarmos as perseguições o fato mais importante da História da
Igreja, no segundo e terceiro séculos, contudo, fatos interessantes aconteceram neste
período que devem ser observados. Vejamos :

O Cânon Bíblico

Os escritos do Novo Testamento foram terminados, entretanto a formação do
Novo Testamento com os livros que o compõem, como cânon, não foi imediata.
Algumas Igreja aceitavam somente alguns livros como inspirados e outra igrejas livros
diferentes.
Gradualmente os livros do Novo Testamento, tal como usamos hoje,
conquistaram a proeminência de escritura inspirada.

O Crescimento e a Expansão da Igreja

O crescimento e a expansão da Igreja foi a causa da organização e da disciplina.
A perseguição aproximou as Igrejas e exerceu influência para que elas se unissem e se
organizassem. O aparecimento da heresias impôs, também, a necessidade de se
estabelecerem alguns artigos de fé, e, com eles, algumas autoridades para executá-las.
Outra característica que distingue esse período é sem dúvida, o desenvolvimento
da doutrina. Na era apostólica a fé era do coração, uma entrega pessoal a vontade de
Cristo. Entretanto no período que agora focalizamos, a fé gradativamente passara a ser
mental, era uma fé do intelecto, fé que acreditava em um sistema rigoroso e inflexível
de doutrinas. O credo Apostólico, a mais antiga e mais simples declaração da crença
cristã, foi escrito durante esse período.
Nesta época surgiram três escolas teológicas. Uma em Alexandria, outra na Ásia
Menor e outra na África. Os maiores vultos da historia do Cristianismo passaram por
essas escolas: Orígenes, Tertulianao e Cipriano.

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