Historia da Igreja - Inicio da Apostasia - Parte III

SERIE CELEBRAÇÃO AOS 500 DA ANOS DA REFORMA PROTESTANTE



INÍCIO DA APOSTASIA PARTE III


A Propagação do Cristianismo até os Confins da Terra. Na propagação do Cristianismo também entre os gentios em geral, a única mensagem ensinada
pelos crentes em toda parte era a pessoa de Jesus Cristo. Sem entrar em minúcias, chamamos a atenção dos alunos apenas para alguns casos concretos.
Quando,  por  exemplo,  Lucas  fala  dos  crentes  dispersos  pelas  perseguições  em  Jerusalém  (Atos  8:1),  ele  fala  que  alguns  varões  chíprios  e  cirenenses ensinavam  aos  gregos  em  Antioquia  e  como  fruto  desses  ensinos  grande  número  se  converteu  ao  Senhor  (Atos  11:20‐21  e  24).  Foi  na  base  destes ensinamentos que se implantou o Cristianismo em Antioquia e foi constituída ali a Igreja. Também pela mesma razão os discípulos em Antioquia foram chamados de “cristãos”. A Igreja de Cristo que estava em Antioquia pouco depois se tornou um centro de expansão missionária, pois era fundamentada sobre um alicerce correto, essa base era o ensino correto e apropriado da Justificação pela Fé em Cristo, mensagem essa que alegrou o coração dos gentios,
que viram a inutilidade das obras tanto para o judaísmo como para todo o sistema religioso pagão. Os missionários que saíram de Antioquia estavam sob a orientação do Espírito Santo (Atos 13:1‐3). É digno de destaque saber que quando Paulo e Barnabé regressaram de sua primeira viagem relataram (fizeram
um relatório) de como Deus tinha aberto aos gentios “a porta da fé” (Atos 14:27).


Na  história  da  obra  missionária  de  Paulo,  temos  muitos  exemplos  de  como,  em  momentos  especiais  e  marcantes  no  seu  trabalho,  ele  apresentou  a mensagem da Justificação pela Fé na pessoa de Jesus Cristo. Ao carcereiro de Filipos disse, por exemplo, “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos
16:31). A Igreja de Cristo em Filipos era composta de crentes em “Jesus Cristo” (Filipenses 1:1), isto é digno de nota, pois a conversão era a Cristo Jesus e não
a qualquer sistema de doutrinas. Em Tessalônica Paulo ensinou que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dos mortos. Explicou que “esse Jesus é o Cristo” (Atos 17:3). Depois, no areópago de Atenas, o ponto culminante da mensagem de Paulo foi o ensino de que Deus destinou um varão que foi ressuscitado dos mortos. Também no seu longo ministério em Corinto, o único assunto de sua pregação era Cristo e esse crucificado. Em sua defesa perante
o rei Agripa, Paulo afirmou que o seu ensino era que Cristo devia padecer e que Ele era o primeiro a ressurgir dos mortos, e que devia anunciar essa mensagem somo se fosse uma luz para o povo judaico e aos gentios.

Verificamos, portanto, que no ensinamento de Paulo e dos cristãos primitivos em geral, era a ação salvadora de Deus na pessoa de Jesus Cristo. E que foi por
meio dessa qualidade de ensino que o Cristianismo penetrou e implantou‐se nos principais centros do império romano. Foi nesta base que a expansão do Cristianismo chegou ao ponto máximo na sua marcha essencialmente didática e sem problemas de natureza especulativa. No ensino dos apóstolos e dos outros cristãos do primeiro século até esta altura a pessoa de Jesus Cristo e de Sua obra salvadora eram apresentadas como fatos de experiência sem qualquer tentativa para interpretações doutrinárias e especulativas. O ensino  e a didática, como já comprovamos, eram essencialmente o testemunho de como a Justificação era uma realidade pessoal dos cristãos, o testemunho cristão era em essência a experiência da justificação.

Na parte final do primeiro século da era cristã, porém, em face das provações e desânimo causados pelas perseguições, muitos cristãos de origem judaica começaram a enfraquecer na fé e a se inclinar para voltar ao judaísmo, esse movimento de volta ao judaísmo, tão combatido por Paulo nas Epístolas aos Romanos, aos Efésios e em especial aos Gálatas, foi conhecido na história como “judaizante”.

Diante dessa situação, surgiu então, a necessidade de uma defesa do Cristianismo e de exaltar a salvação cristã em contraste com o judaísmo. É a situação refletida no Livro aos Hebreus, por exemplo. Sua finalidade e didática é fortalecer os crentes e mostrar o final do velho sistema de culto e ritos judaicos. Nela pode‐se ver claramente o ensino da superioridade da Nova Aliança, portanto, do cristianismo sobre o judaísmo.

No final do primeiro século, o Cristianismo histórico na revelação do Apocalipse aparece com suas formas e atividades externas estabelecidas como sejam,
por exemplo: A observância do Domingo como dia do Senhor (Apocalipse 1:10), a posição das igrejas comparadas a castiçais de ouro, o que demonstra o
valor de cada uma, apesar dos problemas que cada uma enfrentavam, cada igreja local identificada como tendo uma liderança composta e nunca uma única pessoa, uma liderança responsável comparada a um “anjo”. O Cristianismo apresenta‐se organizado e em condições de prosseguir como religião histórica.
Além da situação já existente, a revelação de Cristo a João prediz também as coisas que ainda hão de acontecer e a necessidade de a Igreja de Cristo ouvir a mensagem de Jesus através dos seus pastores sob a orientação do Espírito Santo. Porém, o mais descuidado na leitura de Apocalipse, é que desde o início podemos notar o claro ensino da Justificação pela Fé o que torna o último Livro do Novo Testamento também um Livro de didática espiritual e salvadora (veja como exemplo: Apocalipse 1:5‐6 e 22:11, 14, 21 – Desde o início até o fim o tema do Livro também é a experiência da justificação pela fé, os benefícios do sangue de Cristo e a graça divina)

A partir do segundo século, com o desaparecimento dos apóstolos e da influência pessoal dos cristãos primitivos, começaram a surgir entre alguns líderes do Cristianismo, em face de perseguições e heresias, várias tendências de interpretar criticamente ou em termos racionais a pessoa de Jesus Cristo, para Ele poder ter a capacidade de operar a Justificação provida por Deus. Eram tendências despertadas pela filosofia e idéias religiosas pagãs. Mesmo assim, durante
esta transição para o método especulativo, perdurou ainda por algum tempo o ensino correto sobre o tema e a apresentação do testemunho de cristãos que tinham a experiência da justificação em suas vidas. Isto significava, que mesmo nos primórdios da Igreja de Cristo, enquanto de maneira progressiva era introduzida uma outra forma de salvação, muitos fieis permaneceram do lado da verdade. A obra salvadora de Jesus no primeiro século ainda não era interpretada de forma doutrinária, mas de maneira prática. Os cristãos primitivos (do primeiro século) apenas aplicavam à vida os benefícios da Justificação,
sem se perguntar “como se explica essa doutrina?”. A morte e a vida de Cristo era aplicada na vida como benefícios de Deus ao homem e essa aplicação prática era o ponto máximo e único do ensino teológico, é dessa forma que podemos extrair das Cartas de Paulo para a Igreja. (1 Coríntios 15:3‐4). A fé era a
base e alicerce da salvação.


Porém, a partir do segundo século, começou a surgir em algumas igrejas o ensino de uma interpretação da pessoa de Cristo. Ao invés de apenas acreditar na
obra salvadora, muitos começaram a analisar criticamente essa obra de redenção. E no intuito de explicar se inicia um sem número de especulações. Por exemplo: Foi então que se começou a perguntar se Jesus Cristo era divino ou humano; se era Filho de Deus ou era filho do homem, e como essas idéias podiam ser harmonizadas. Esta mudança no interesse, no pensamento e no ensino é maior do que podemos imaginar, as mudanças foram se ampliando até
que culminou num sistema “cristão” que ensinava a salvação pelas obras.


Mencionaremos algumas causas e como isso aconteceu: Quando o ensino apostólico passou para o ensino dos séculos posteriores foi óbvio que não só o ensino original foi se perdendo, como também a influência do verdadeiro cristianismo. Precisamos reafirmar que esta tendência crítica surgiu em face de heresias, umas negando, por exemplo, a divindade de Jesus Cristo, e outras negando sua humanidade. Havia necessidade de doutrinar as igrejas em face de
tais problemas e outros semelhantes, vindos de fora. Quando, porém, o cristão precisa se defender contra os ataques do mundo, ou quando ele precisa defender aquilo em que crê em face de desafio das heresias, ele corre o perigo de abandonar a sua fé genuína e pessoal e se enveredar para a especulação. O
ensino  realmente cristão era um  testemunho prático da fé  em Cristo e não uma resposta doutrinária à perguntas dos que  em Jesus não acreditam. No
ensino cristão, jamais a exposição doutrinária está isolada do testemunho da fé e da experiência pessoal com Cristo.


Nos primeiros séculos depois do período apostólico, até 320 d. C., por exemplo, os teólogos, embora já tivessem os seus pensamentos despertados para assuntos de controvérsias cristológicas, mantiveram ainda uma posição genuinamente evangélica com referência à pessoa e obra de Jesus Cristo. Jesus Cristo
continuou a ser crido e ensinado como o único e suficiente mediador entre Deus e os homens. A sua morte na cruz era considerada fato essencial na obra redentora. O sofrimento de Cristo era considerado vicário e Sua vida substitutiva.

Os escritos dos teólogos deste período geralmente pouca referência fazem à idéias especulativas. Não havia ainda esforços para se formar algum sistema de teologia. Também os assuntos básicos do Cristianismo ainda não eram estudados em profundidade ou exaustivamente. A aceitação da pessoa e obra de Jesus Cristo era essencialmente prática. Clemente de Roma diz, por exemplo, que o sangue de Cristo foi derramado para a nossa salvação e trouxe a graça de Deus
e a chamada ao arrependimento dirigido ao mundo inteiro. A morte de Cristo traz, diziam os teólogos, a salvação e a vida eterna. Era o período da expansão
do cristianismo, esse era o “poder de Deus”, era o evangelho de Cristo para salvação (Romanos 1:16). Era simples, singelo, sem ostentação, nem “shows para arrastar multidões”. Nessa época, que agora passaremos a chamar de “Cristianismo Histórico”, as  Igrejas  de  Cristo  atuavam  na  maior  humildade,  com
apenas  um  testemunho  pessoal,  era  a  demonstração  do  poder  do  evangelho  que  podia  transformar  um  pecador  em  uma  pessoa  que  desfrutava  dos
benefícios da Justificação pela Fé, esse ensino transformou o mundo de então e abalou o Império Romano.


Já explicamos que o Cristianismo Histórico apresentava um ensino simples sobre a condição do homem sem Deus, e a solução provida na obra salvadora de
Jesus, era essa a única ênfase, nada havia de interpretação especulativa. Como resultado desse ensino simples, humilde e singelo o Cristianismo Histórico estendeu suas fronteiras e chegou a predominar no Império Romano.

Porém, e isto é lamentável, e também um tremendo ensinamento para nossos dias, algumas igrejas começaram a sofrer neste período, depois da morte dos apóstolos, depois do segundo século, a influência de tendências para o sacramentalismo com reuniões cheias de programações, cerimônias e paramentos, dando demasiada importância ao batismo, ao ascetismo, obras externas como atributos de salvação e a perda da visão da Justificação pela Fé. Por exemplo:
A celebração da missa é mais uma encenação que um culto cristão, veja como Martinho Cochêm descreve o cerimonial no livro: Explicação da Missa, página
40 – “O sacerdote durante uma só missa benze‐se 16 vezes, volta‐se para o povo outras 16 vezes, beija o altar 8 vezes, levanta os olhos 11 vezes, 10 bate
no peito, ajoelha‐se outras 10 vezes e junta as mãos 54 vezes. Faz 21 inclinações com a cabeça e 7 vezes com os ombros, inclina‐se 8 vezes e beja a oferta
36 vezes! Põe as mãos sobre o peito 11 vezes e oito vezes olha para o céu, faz 11 rezas em voz baixa e 13 em voz alta, descobre o Cálix e o cobre novamente 5 vezes e muda de lugar 20 vezes!”.

Veja como o desvio da fé se iniciou quando movimentos de cenário começaram a substituir as singelas reuniões de ensino da Palavra. A fé se perdeu quando
o culto era uma programação para entreter as pessoas e não para ensinar as pessoas.


Tudo isso começou a enfraquecer a fé e a vitalidade inicial, aquilo que no Apocalipse é chamado de “primeiro amor” (Apocalipse 2:4). O “primeiro amor” era
a fé cristã como aceitação da graça de Deus.


Devemos notar com cuidado que esta religião especulativa e cheia de cerimônias tomou corpo, muito mais quando sua Sede se estabeleceu em Roma, em
contradição  com  a  Sede  de  Jerusalém.  Sabemos  pela  leitura  atenta  de  Atos,  que  as  Igrejas  de  Cristo,  em  seus  primórdios  tinham  como  organização centralizada a cidade de Jerusalém, é importante notar que o relato de Atos 8:1 explica assim: “e fez‐se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja
que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto  os  apóstolos”. Os apóstolos deveriam permanecer em
Jerusalém, apesar da grande perseguição, pois Jerusalém era a Sede da organização e ali deveria permanecer a liderança. Durante o primeiro século, enquanto os apóstolos estavam ainda vivos a hierarquia da Igreja de Cristo repousava sobre uma liderança tríplice, veja com atenção Gálatas 2:9 – “E
conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas...”. Note‐se com atenção que quem está fazendo este reconhecimento é Paulo,
ele que muito bem poderia querer, dada a sua importância, estabelecer um ministério individual. Mas, pelo contrário notamos que ele se reportou à liderança de Jerusalém para dar o seu relatório e solucionar o problema criado com o ensino da Justificação pela Fé aos gentios (Atos 15 – todo o capítulo).
Sim! No ano 49 d.C., foi preciso que eles se reunissem em Jerusalém para resolver questões que afetavam os cristãos em geral. O relato de Atos nos diz que,
depois duma consideração aberta, “então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos (Presbíteros), com toda a igreja, eleger homens dentre eles e enviá‐los
com  Paulo  e  Barnabé  a  Antioquia,  a  saber  Judas,  chamado  Barsabás,  e  Silas,  homens  distintos  entre  os  irmãos”.  A  Igreja  aqui  mencionada  é  o reconhecimento que havia uma única Igreja, cuja sede estava em Jerusalém. Nesta reunião notamos também que quem falou foi Pedro (Atos 15:7), que como vimos formava parte da liderança tríplice, assim como também quem falou dando sua opinião foi Tiago (Atos 15:13), um dos outros apóstolos da diretoria geral. Após a resolução, a Bíblia relata que essa resolução deveria ser aceita por todas as igrejas locais que estavam sob a jurisdição de Jerusalém
(Atos 15:23; 16:4). Evidentemente os três apóstolos serviam como órgão diretor para as congregações dispersas das Igrejas de Cristo (Romanos 16:16). Então,
visto que aquela tríplice liderança em Jerusalém era o modelo cristão primitivo para a supervisão geral sobre todos os discípulos. Se a Igreja desejar seguir o padrão e modelo original, ele é indicado com clareza nas páginas do Novo Testamento. A Igreja não pode se perder na busca de outros modelos a não ser aquele que Jesus estabeleceu para sua Igreja. Desde que a Igreja estava em formação, enquanto Jesus ainda estava com seus discípulos já tinha estabelecido
essa hierarquia (Veja com atenção Mateus 17:1; Mateus 26:37 e Marcos 5:37).


Devemos ainda destacar que depois que os perguntaram ao Salvador: “... Dize‐nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” Mateus 24:3. Como resposta a essa pergunta, o primeiro que Jesus lhes disse foi: “Acautelai‐vos que ninguém vos engane” Mateus 24:4 – E a continuação lhes explica que o engano consistiria num engano religioso; assim, o sinal era caracterizado pelo maior engano que o mundo já viu! Portanto, o engano religioso seria o primeiro e mais importante sinal para indicar as cousas que aconteceriam após a morte dos apóstolos. As conseqüências de ser enganados pela falsa religião são muito piores do que ser vítimas da fome, enfermidade ou guerra. A conseqüências são de valor eterno. Jesus advertiu dizendo que seriam enganados “se for possível” até os escolhidos, os próprios eleitos (Mateus 24:24).


De acordo com o Livro de Apocalipse essa falsa religião, o grande engano, teria muita autoridade e uma adoração mundial ou universal (“Deu‐se‐lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação; e adorá‐la‐ão todos os que habitam sobre a terra” Apocalipse 13:7‐8).

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