A Pré-Reforma e Reformadores



Reformadores da igreja Protestante


SERIE CELEBRAÇÃO AOS 500 DA ANOS DA REFORMA PROTESTANTE


A reforma tão esperada não viria sem que houvesse desbravadores que dessem suas vidas em sacrifício por causa de um ideal, não algo filosófico ou
idealista, mas sim o desejo de  que cada homem e cada mulher tenham a oportunidade de se relacionar com seu criador sem ter que passar pelo controle rígido  e  fraudulento  da  santa  igreja  romana.  O  contexto  político  em  que  a  Europa  se  encontrava  na  baixa  idade  média  desenvolvia  sentimentos nacionalistas em diversas regiões, ou seja, os governantes, os nobres e o povo estavam cansados de serem comandados e ter o território nacional invadido
e terem terras tomadas pela igreja ou qualquer aliança politico‐religiosa, toda a política econômica e social sofria influência externa. Esse sentimento estava presente em quase todos os grandes países da época fazendo com que se iniciasse a preparação para o que para muitos paises representava uma liberdade jamais experimentada.



O que segue são os principais nomes do início da preparação daquilo que mudaria a história da Europa e do mundo.




Petrobrussianos


Este movimento surgiu por volta do ano 1110 no sudoeste da França, quem liderava a igreja católica nesta época era o papa Pascoal II (1099 a 1118) que
estava em guerra contra o imperador alemão Henrique IV, a qual já durava mais de quinze anos.
Os Petrobrussianos receberam este nome devido seu fundador que se chamava Pedro de Bruys o qual foi discípulo de Abelardo Pierrel teólogo e filósofo. Bruys era padre, porém tomado de indignação devido tanta imoralidade o deixou de ser e começou a pregar o evangelho genuíno de Cristo em 1104. Sendo ajudado por Henrique de Lausane que havia sido monge, Bruys declarou guerra ao papado e os dogmas de sua igreja, esta que estava no auge de poder e depravação; combateu fortemente a prostituição e perversão do clero declarando que os ministros deveriam se casar. Os petrobrussianos rejeitavam a missa e afirmavam que a comunhão ou santa ceia era um memorial, negando o dogma da transubstanciação que é a transformação literal do
pão e do vinho na carne e no sangue de Jesus.



O movimento teve seu início numa época estratégica, pois havia poucos anos que crises entre o papa de Roma e o de Constantinopla culminaram no chamado “cisma do oriente” (1054), originando a Igreja Ortodoxa de Constantinopla. Devido a este acontecimento e problemas morais que a igreja sofria
veio a fortalecer os Petrobrussianos que tiveram um bom apoio do povo e estes cresceram vastamente. Em 1126 Pedro de Bruys foi denunciado e sendo preso foi queimado vivo numa fogueira. Henrique de Lausane foi preso e condenado no Concílio de Reims, falecendo em 1148.




Albigenses


No princípio eram chamados de Cátaros (puros), surgiram  por volta de 1167, por serem da região Langedoc (sul da França) mais precisamente da cidade
de Albi receberam por volta de 1181 o nome de Albigenses. Albi era uma cidade bastante religiosa e situada ao norte da Espanha e Itália por isso o movimento constituía a maioria no sul da França e em 1200 já havia penetrado no norte da Itália.



Os Albigenses combatiam fortemente a grande imoralidade do clero; não aceitavam a submissão a Roma que era imposta a força; eram contra as peregrinações a Roma e a Jerusalém; o culto de imagens e aos santos.



Em 1208 o papa Inocêncio III organizou uma cruzada contra o movimento Albigense devido terem apoiado Anacleto que havia disputado o papado contra
ele e também, dizem alguns historiadores, que foi devido o conde Raimundo VI que os apoiava,  ser acusado  do assassinato de Pierre de Castelnal . Esta guerra foi conduzida por Simon Montfort que liderava 300 mil soldados e durou de 1208 a 1229. O primeiro dia de batalha foi na cidade de Beziers dia 22
de Julho de 1209, só neste dia foram mais de 60 mil mortes. Cidades inteiras foram massacradas na caçada aos albigenses. Tudo o que pertencesse a eles
era destruído inclusive mulheres e crianças, nem os templos escaparam tudo que estava pela frente era devastado. Com a instituição da Inquisição em
1229 tudo ficou ainda mais difícil.



Depois desta terrível cruzada os albigenses que sobreviveram continuaram suas atividades na cidade de Montségur, até que esta foi tomada em 1244
dando o golpe final nos albigenses.
Valdenses



Do sul da França, mais precisamente da cidade de Lyon, muito parecidos com os Albigenses os Valdenses tem este nome devido seu fundador Pedro
Valdo; este era um mercador muito rico que ao ver um amigo morrendo repentinamente percebeu a fragilidade da vida e converteu‐se ao cristianismo.
Este movimento foi fundado na mesma época que os Albigenses, mais precisamente em 1176.


Depois de convertido Pedro Valdo começou a não aceitar as imposições de Roma e após ter doado suas propriedades saiu a pregar o evangelho. Chamado
de herege pregava contra Roma e sua terrível imoralidade, dizia Pedro Valdo que os padres, bispos e papas não tinham a menor condição de ensinar as
Escrituras. Condenava o ensino referente ao purgatório, combatia a missa e as orações pelos mortos e ao combater as indulgências foi excomungado em
1184.


Era um, grande pregador por isso despertou no povo o desejo de ler as Escrituras e entender o verdadeiro ensino de Cristo, ensinava que a Bíblia era a
única regra de fé a ser seguida pelo homem. Devido a falta de escritos sagrados em uma língua que o povo pudesse ler os valdenses produziram manualmente porções da Bíblia para serem distribuídas.


Durante a inquisição foram praticamente exterminados, exceto nos vales alpinos onde tiveram contato com os Hussitas e os irmãos Morávios que também protestavam contra o papado, séculos depois aderiram à reforma protestante.


Após atravessarem a idade média os valdenses continuavam fortes trabalharam em pequenas comunidades agrícolas na América e Itália, hoje constituem
a maior igreja evangélica italiana.




Arnaldo de Bréscia


Arnaldo nasceu em Bréscia, Itália no fim do século XI também como Pedro de Bruys foi discípulo de Abelardo. Foi um grande pregador e se unindo aos
Petrobrussianos e aos Albigenses promoveram grande infortúnio a Roma. Pregou contra a corrupção do clero, que a igreja não poderia acumular bens e propriedades, pregou o retorno à simplicidade da igreja primitiva, atacou o batismo de crianças, a missa, ensinava que a relação entre o homem e Deus deveria ser direta e também lutava a favor da separação da igreja e o estado.Arnaldo não era só um reformador religioso, mas também político, em seus discursos dizia que o governo civil pertencia ao povo. Obteve o domínio de Roma por pouco tempo, pois a mando do papa Adriano IV Frederico Barba‐roxa veio à Roma para derrotar Arnaldo. Em 1139 após ter sido julgado como herege fugiu para a França e mais tarde para a Suíça onde foi denunciado sendo preso, enforcado e queimado em 1155 na cidade de Roma pelo papa Adriano IV.




John Wiclyff


Este ao lado de John huss talvez seja o maior nome da pré reforma, seu ministério teve início em um momento difícil na Inglaterra esta que havia passado
por crises devido às guerras que vinham de muito antes. Em 1066 após se libertar dos reis anglo‐saxões, a Inglaterra dava início a formação de sua monarquia.  O  rei  Ricardo  I  (1189‐1199)  conhecido  como  “Ricardo  coração  de  leão”  iniciou  uma  guerra  contra  a  França  na  qual  as  batalhas  eram constantes;  foi  substituído  por  seu  irmão  o  rei  João  sem  terra  (1199‐1216)  que  praticou  a  mesma  política.  Tudo  isso  fazia  com  que  os  impostos aumentassem cada vez mais, afim de que, com o dinheiro arrecadado, pudessem custear as guerras.



Após a revolta dos senhores feudais em 1215 sendo apoiados pela burguesia impuseram a carta magna ao rei João que proibia o aumento de impostos ou
a alteração de leis exceto sob autorização do grande conselho, tratado este que foi violado em 1265 pelo rei Henrique III. Devido a isso foram impostas mudanças  que  convergiram  para  formação  do  parlamento  inglês  em  1295,  nos  anos  seguintes  a  Inglaterra  passaria  por  situações  nas  quais  quem continuava a sofrer era o povo que além de tudo isso padecia sob domínio da escravidão espiritual a que o papado impunha às pessoas. E foi nesta conturbada situação que surgiu um homem que defendia os pobres e desfavorecidos, combatia Roma defendendo os interesses dos camponeses os quais
a cada dia confiavam mais em suas palavras.



Johannes Wiclyff ou mais comumente conhecido como John Wiclyff nasceu em 1324 na Inglaterra foi educado na universidade de Oxford,  onde alcançou
o lugar de doutor em teologia e  chefe dos conselhos que a dirigiam, em 1371 deixou a universidade para servir à coroa inglesa. Considerado o homem de maior sabedoria e conhecimento de sua época entrou em luta contra papado em favor de uma reforma urgente na igreja, nesta mesma época (1375) era padre em uma paróquia em uma pequena cidade chamada Lutterworth, cidade esta que o admirava.



Condenava o poder papal, os frades mercadantes e todo sistema monástico; não aceitava a interferência do papa na Inglaterra esta que já vinha em discussão sobre esta intromissão constante; também não reconhecia a autoridade papal. Uma de suas lutas era por um culto simples como na igreja primitiva numa língua nacional onde os ouvintes pudessem ter compreensão do que era dito e combatia o luxo, extravagância e frieza com que era feita a missa; escreveu contra doutrinas da igreja dentre as quais está a da transubstanciação.
Após tantas lutas o papado o condenou no concílio eclesiástico sendo obrigado a calar‐se, no entanto isso não resolveu, pois ele continuou as denúncias e trabalhou  intensamente  distribuindo  literatura  cristã.  O  concílio  ainda  assim  permitiu  que  voltasse  à  sua  paróquia  onde  produziu  o  maior  de  seus trabalhos, a tradução do novo testamento do latim da vulgata para o inglês, terminando em 1380. Após o término fez cópias manuais   e começou a divulga‐las sendo ajudado por seus discípulos, os irmãos lolardos que se vestiam como mendigos e dependendo de esmolas pregavam o evangelho através
da tradução de Wiclyff. Os lolardos se tornaram numerosos e quando Wiclyff iniciou a tradução do velho testamento eles o ajudaram terminando no ano
de sua morte, 1384.



Morreu muito idoso e deixando uma herança sem valor monetário, mas de grande valor espiritual e ideológico. Seus discípulos que cresciam a cada dia foram duramente perseguidos pelo rei Henrique IV e Henrique V até serem exterminados. Em 1382 sofreu uma embolia que não o impediu de continuar
seu trabalho mesmo com dificuldade. Em 1384 foi vítima de outra embolia que lhe foi fatal. Após trinta e um anos de sua morte no concílio de Constança
foi declarado herege, seus ossos foram tirados da sepultura, queimados e suas cinzas lançadas no rio Swift numa tentativa papal em dar fim ao homem
que mesmo depois de morto influenciava tantas vidas através de seus escritos.




John Huss


A boêmia e região jamais foram as mesmas depois de John Huss. Nascido em 1369 na cidade de Husinec na Boêmia, hoje República Tcheca,  foi um dos
homens mais convictos e destemidos da pré reforma. Entrou para escola aos treze anos, e aos dezoito iniciava na universidade o curso teologia e humanidades, e para pagar seus estudos ganhava dinheiro cantando em coros. Foi ordenado em 1400 e chegou a reitor da universidade de Praga. Influenciado pelos escrito de Wiclyff, absorveu seus ideais. Pregador corajoso, suas pregações eram poderosas, condenava o clero, usa prostituições, corrupções, a venda de indulgências e ao colocar as Escrituras acima de tudo condenava a doutrina do purgatório, adoração aos santos e imagens e ao uso
do latim na missa.



Devido as constantes crises econômicas na época, o povo estava cansado de ser Afligido pelas leis que eram formuladas sob influência da igreja, os impostos eram altos e por isso viram em John Huss um líder e este agiu como tal. Depois de muitas críticas ao papado e sua insistência em desafia‐lo foi excomungado em 1412 pelo papa João XXIII que determinou a censura religiosa em Praga, Huss retirou‐se por um tempo para um lugar ignorado pelos historiadores. Após dois anos de exílio consentiu em comparecer no concílio de Constança (o mesmo que declarou Wiclyff como herege) recebendo uma garantia de vida chamada “Salvo conduto”. No interrogatório Huss foi coagido a desmentir sua fé e renunciar seus ensinos, ele tinha convicção em sua fé e
se defendeu com as Escrituras, os juizes ignoraram o salvo conduto dizendo que “não se deve ser fiel com um herege”. John Huss foi preso e condenado
em 1415 a fogueira na cidade de Constança, e no momento de seu martírio enquanto as chamas subiam disse algo que naquele momento parecia ser um delírio devido à dor das queimaduras “vocês podem matar o ganso (huss em alemão) mas virá um cisne o qual não poderão matar”, esta palavra se referia
a Martinho Lutero que noventa e oito anos depois pregava as 95 teses na porta do castelo da cidade de Wittenberg .
Os seguidores de Huss revoltados com sua morte se organizaram e iniciaram uma guerra em prol da independência da Boêmia. Derrotaram o imperador alemão conquistando poder  político por  toda  a  Alemanha, Moravia  e  região. Seus seguidores foram  duramente  perseguidos por  ordem  do papa  e praticamente exterminados.




Girolamo Savonarola


Também conhecido como Jerônimo Savonarola, nasceu em 14 de Setembro de 1452 no Ducado de Ferrara, Itália;. Desde garoto tinha interesse pelas
coisas espirituais, movido pelo desejo de fazer a vontade de Deus, decide ingressar na “Ordem dos pregadores de São Domingos”. Foi professor de teologia na cidade de Bolonha onde se destacava por suas pregações, era o João Batista de sua época. A convite de Lourenço de Médicis que era o administrador da cidade de Florença, em 1490 Savonarola se mudou para lá.



Florença era uma das principais cidades em que o movimento renascentista se desenvolvia, Lourenço de Médicis também incentivou e patrocinou a criação da “Escola Filosófica Neoplatônica”, também se destacava na pintura e foi de Florença que surgiu a técnica de pintura a óleo. O convite de Médicis
foi devido o conhecimento e eloqüência de Savonarola que trariam à cidade ganho na área da teologia.



Suas pregações eram inflamadas e denunciadoras, combatia o poder do clero que constantemente se envolvia em questões políticas trazendo todo tipo de malefícios aos pobres, se indignava pelo grande contraste entre o povo e o clero que ao lado dos ricos os oprimiam, combateu a imoralidade, a idolatria e
as indulgências.



Foi Prior do Mosteiro de São Marcos e devido sua grande capacidade foi convidado a ensinar em outros conventos. O papa de sua época foi Inocêncio VIII (1484‐1492) homem depravado, teve 16 filhos com várias mulheres casadas, praticava a simonia que era a venda de cargos eclesiásticos por dinheiro, dentre suas barbaridades está o mandato para o extermínio dos Valdenses e por tudo isso Savonarola o combatia e o enfrentava. Inocêncio VIII foi sucedido por Alexandre VI que em nada foi melhor que seu antecessor e continuou a perseguição contra Savonarola que ia contra suas atrocidades.



Os historiadores atribuem a Savonarola muitas profecias que se   cumpriram cabalmente em seu tempo, dentre elas foi um sonho em que Deus lhe revelava sobre a morte de Lourenço de Médicis do papa Inocêncio VIII e do rei de Nápolis em um ano, e como foi o sonho assim aconteceu. Depois destas mortes o rei Carlos VIII rei da França invadiu a Itália pretendendo assolar o povo, porém com a intervenção de Savonarola houve um acordo com o rei que trouxe muitos benefícios para cidade despertando a inveja do papa Alexandre VI. Foi convidado para ocupar o cargo de cardeal que o colocaria em submissão direta ao papa, e não aceitou trazendo mais desconforto ainda.
Devido a disputas por poder político e religioso o papa enfurecido excomungou Savonarola, com isso o povo foi afligido devido restrições que foram feitas
à cidade que agora sofria dificuldades econômicas e miséria. Finalmente em 1498 foi preso e levado juntamente com dois fiéis amigos, frei Silvestre e frei Domingos; foi acusado falsamente e não tendo como provar, torturaram‐no por quarenta e cinco dias, julgaram‐no como caluniador e inventor de falsas profecias. Na praça de Florença os três foram levados à fogueira, seus dois amigos morreram primeiro enquanto as chamas queimavam seu corpo maltratado até consumi‐lo totalmente.




Seu nome nunca foi esquecido e seu trabalho viria a influenciar o maior nome da reforma protestante.


* A Queda de Constantinopla


A queda de Constantinopla, em 1453, foi assinalada como linha divisória entre
os tempos medievais e os tempos modernos. Província após província do grande
império foi tomada, até ficar somente a cidade de Constantinopla, que finalmente, em
1453, foi tomada pelos turcos sob as ordens de Maomé II. O templo foi transformado
em mesquita. Constantinopla ( Istambul ) tornou-se a capital do Império Turco e assim
terminou também o período da Igreja Medieval.
* Resumo da Apostasia
Mencionaremos algumas das doutrinas que não tem apoio nas Escrituras
Sagradas, e quando foram implantadas na igreja.


Ano Doutrina

310 Reza pelos defuntos, 320 Uso de Velas, 375 Culto dos santos, 431 Culto à
virgem Maria, 503 Obrigatoriedade de se beijar os pés do papa, 850 Uso da água benta,
993 Canonização dos Santos, 1073 Celibato Sacerdotal, 1184 Instituição da Santa
Inquisição, 1190 Venda de Indulgências, 200 Substituição do pão pela hóstia, 1215
Dogma da transubstanciação, 1229 Proibição da leitura Bíblica, 1316 Instituição da reza
à Ave Maria, 1546 Introdução dos livros apócrifos, 1870 Dogma da infabilidade papal,
1950 Ascensão de Maria

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