A Reforma Protestante - Causas e o mundo na época.




Causas da Reforma Protestante




Com a morte de Savonarola os gritos de repúdio ao papado deram uma trégua, porém o mundo se prepara e dava condições à reforma protestante. Em
toda a Europa as crises econômicas eram constantes, a aristocracia já se incomodava com o poderio papal, como vimos anteriormente, o nacionalismo tomava forma e se propagava e somando isso a revolução comercial, iniciava‐se nos séculos XV e XVI o movimento renascentista ou   renascimento cultural. A Renascença ao lado da invenção da tipografia e o acesso ao grego e hebraico trouxeram benefícios inestimáveis à reforma.


A Renascença



O mundo vinha de uma faze obscura onde a cultura se resumia à eclesiástica, o feudalismo havia isolado as comunidades privando‐as do conhecimento do
que se passava no mundo. Com a revolução comercial o capitalismo ganhou espaço trazendo consigo influência sobre a sociedade em geral.



A renascença começou na Itália favorecida pela abertura do mar mediterrâneo, as cidades de Veneza, Roma e Milão tornaram‐se grandes centros de cultura favorecendo o inicio do movimento. Com o apoio dos Mecenas que apoiavam a cultura Florença na Itália ganhava através de Lourenço de Médicis grandes investimentos na área das artes plásticas e filosofia. A  teocentria que colocava Deus no centro das atenções dava lugar ao Antropocentrismo que
substituindo Deus, colocava o homem em seu lugar, os quadros com temas religiosos   e as músicas sacras davam lugar a quadros que retratavam a sociedade  da  época,  as  músicas  tratavam  do  cotidiano  medieval.  Nomes  como  Willian  Shakespeare,  Leonardo  da  Vinci,  Michelangelo,  Erasmo  de Roterdam e Nicolau Copérnico representam, cada um na sua área, ícones da Renascença.

A invenção da tipografia


Johannes Gensfleish Zur Laden mais conhecido como Gutenberg, sobrenome de sua mãe, não imaginaria a dimensão da influência  que seu invento iria
proporcionar ao mundo. Nascido entre 1395 e 1400 em Mainz, as margens do rio Reno, Alemanha. De 1434 a 1444 viveu em Estrasburgo, onde se associou, em 1438, a Andreas Dritzehn para montar uma oficina impressora, projeto interrompido pela morte do sócio.



Por volta de 1450, de retorno a Mainz, conheceu Johann Fust que gostou de sua invenção e emprestou dinheiro para que montasse uma oficina de tipografia.



Seu maior trabalho com certeza foi a suposta impressão da Bíblia que durou cinco anos e levou o nome de “A Bíblia de Gutenberg”. Não tendo pago o empréstimo a Fust em 1455 foi processado e perdendo a causa, todos seus equipamentos foram tomados. Anos mais tarde com a ajuda financeira de Konrad Humery, conselheiro municipal de Mainz, iniciou uma nova oficina.



Gutenberg  foi  nomeado  homem‐Gentil  da  cidade  de  Mainz  e  retornou  a  sua  cidade  sob  os  cuidados  do  arcebispo  Adolfo  II.  Gutenberg  morreu provavelmente em Mainz, em 3 de fevereiro de 1468.



Erasmo de Roterdan


Desidério Erasmo (1466‐1536) foi muito importante para a reforma apesar de não ter aderido a ela. Devido sua grande sabedoria e conhecimento de
tornou um dos maiores humanistas de sua época. Denunciava as imperfeições da igreja, porém defendia que se devia suportar seus erros buscando as mudanças necessárias através da tolerância, talvez por isso nunca se aliou a Lutero apesar de compartilhar de seus ideais.



Editou o novo testamento em grego de altíssima qualidade que serviu para que os tradutores produzissem versões fiéis aos originais.


AS CAUSAS DA REFORMA


A Europa estava cansada da tirania eclesiástica que afligia a todos e impedia o desenvolvimento que seus líderes almejavam, o Sacro Império Romano‐
Germânico no qual a Alemanha estava situada sofria o fato da igreja ser detentora de um terço de sua terras e isso começara a incomodar os nobres que almejavam um estado separado da igreja  e a tomada das terras, ou seja a reforma protestante não tem apenas o ingrediente religioso mas também o político já que se desvincular de Roma traria esta dupla libertação que não sé era útil com rentável.
O que veremos a seguir são as principais causas que culminaram na reforma na Alemanha tanto no campo político como no religioso.



Causas políticas



O Sacro império Romano‐Germânico no início do segundo milênio controlava as ações da igreja escolhendo clérigos e os nomeando conforme seu
interesse este tinha pretensões audaciosas no entanto  após alguns anos a história se reverteu e a igreja começou a dominar todo o território.



Tomás de Aquino (1225‐1274) que foi um grande teólogo e filósofo a serviço da igreja , foi criador do Tomismo que dentre outras coisas era contra a “ambição do lucro”, que segundo a igreja era pecado. Isto era um incômodo muito grande para os nobres que desejavam participar do grande crescimento comercial que o mundo atravessava, a atividade bancária que começava a se desenvolver também era ameaçada devido à proibição de negócios que dessem lucro alto. Todas as atividades capitalistas eram combatidas pela igreja não por que esta se importava com a desigualdade social já que o grande
lucro ia para uma minoria , mas sim porque ela temia que os governos se fortalecessem a ponto do papado perder o domínio. A terça parte de toda a
Alemanha pertencia à igreja e o restante que sobrava para os alemães sofria a direta  intromissão do papa.



Como  visto  anteriormente  o  movimento  renascentista  desenvolvia  através  das  artes,  poesias,  músicas  etc...uma  nova  expectativa  nas  pessoas  e principalmente  começaram a enxergar que o grande vilão que trabalhava contra a humanidade usava o nome de Deus.



Causas religiosas


 A descoberta de Lutero


Após o retorno de Lutero de Roma a Wittenberg, ele fez a descoberta de sua vida, ao ler as Escrituras no livro de romanos “o justo viverá pela fé” (Rm
1:17) e sobre isso relatou:


“Noite e dia eu ponderei até que vi a conecção entre a justiça de Deus e a afirmação de que ‘o justo viverá pela fé’. Então eu compreendi que a justiça de Deus era aquela pela qual, pela graça e pura misericórdia, Deus nos justifica através da fé. Com base nisto eu senti estar renascido e ter passado através de portas abertas para dentro do paraíso. Toda a Escritura teve um novo significado e, se antes, a justiça me enchia de ódio, agora ela
se tornou para mim inexprimivelmente doce em um maior amor. Esta passagem de Paulo se tornou para mim um portão para o céu...”.
Sua vida mudaria, ele que até então buscava uma resposta que o justificasse diante de Deus entendeu pela revelação do Espírito Santo que o homem não
é justificado por suas ações, pagamento de indulgências ou a adoração das relíquias da igreja mas tão somente por crer no sacrifício vicário de Jesus Cristo.



A partir de então começa uma verdadeira inquietação na alma de Lutero, não que esta não houvesse no que se refere às praticas da igreja, porém agora
ele tinha uma convicção daquilo que antes era apenas uma dúvida, a igreja estava totalmente fora dos padrões bíblicos. Os seus conceitos sobre salvação
e vida cristã mudaram radicalmente provocando uma reação imediata de sua parte.



A corrupção do clero



Não bastasse à distância entre os ensinos bíblicos e os da igreja, esta vivia tempo de plena imoralidade, o papa desta época era Leão X que foi feito arcebispo aos oito anos de idade chegou ao papado depois de galgar vinte e sete cargos eclesiásticos, sua corrupção chegou aos extremos. Quando Francisco I da França invadiu a Itália, porém, Leão X apoiou as tropas do imperador Carlos V. Para financiar os vultosos gastos militares e suntuários, Leão X aumentou a venda de indulgências. Vendia cargos   por preços altos e chegou a ordenar crianças de sete anos como cardeais, confirmou a “Unam Sanctam” a qual declarava que todas as pessoas deviam se submeter ao Sumo pontífice para serem salvas.



 As indulgências



Em 1517 Lutero ainda residia em Wittenberg e próximo à sua cidade veio um frade dominicano chamado Johann Tetzel   que enviado pelo arcebispo Alberto da Mogúncia trazia indulgências para serem vendidas, o dinheiro serviria para a construção da Basílica de São Pedro. As indulgências davam direito para aos mortos que estivessem no purgatório serem enviados diretamente para o céu. Dizia Tetzel, para os parentes de pessoas mortas: “Quando
o dinheiro cair no cofre da igreja a alma vai direto para o céu”. Vinham pessoas de todas as localidades para comprar as indulgências que também davam direito ao perdão de todos os pecados cometidos e os vindouros. Chegando ao conhecimento de Lutero, este ficou indignado e decidiu enfrentar tamanha mentira.

Esta provavelmente foi à gota d’água para que a reforma explodisse na Alemanha.




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